segunda-feira, 7 de setembro de 2015

É preciso correr riscos.


-Ela acordou, olhou para o relógio: Eram oito horas da manhã. Estava atrasada para o colégio e mais uma vez teria que correr para a parada de ônibus o mais rápido possível caso ainda quisesse tomar o ônibus escolar.

-Ele acordou, procurou o celular naquela confusão de lençóis: Eram oito horas da manhã. Estava tão atrasado que sabia que seu café da manhã poderia esperar, correu mais que depressa para se aprontar afim de conseguir pegar ônibus o mais rápido possível, o ônibus escolar.

-Ela correu o mais rápido que pôde, conseguiu alcançar a parada de ônibus antes do mesmo passar, enfim, conseguiu, seu ônibus parou e ela subiu com o coração batendo forte e a barriga cheia de gelo. Não o via, ele certamente se atrasou.

-Ele correu o mais rápido possível, esperou, esperou, olhou para o relógio, oito e quarenta e cinco, certamente o ônibus já teria passado e agora ela estaria sozinha em meio a tanta gente; pensou, ainda queria vê-la, correu para a estação de metrô, ela valia a pena.

-Ela sempre o amou em segredo, desde os seus oito anos quando ele o ajudou a pegar aquela maçã lá no alto daquela árvore, ele era tão especial para ela mas ao mesmo tempo tão estranho, nunca tinham se falado, bem, pelo menos diziam "oi" um para o outro quando se sentavam lado a lado naquele ônibus, porém nada mais que isso, a vida dos dois se resumia a uma conversa de quatro letras, onde duas era para cada um. Será que o "oi" que ele falava para ela significava algo mais que um simples cumprimento ou ela estaria louca?

-Ele sempre a amou em segredo, desde o dia em que a viu pulando embaixo de uma macieira, numa tentativa frustrada de alcançar o galho mais alto onde havia uma maçã enorme. Não mediu esforços, correu ao seu encontro, subiu na árvore e pegou a fruta, olhou para o rosto da garotinha e viu que ela estava a ponto de chorar, certamente pensava que nunca mais viria aquela tão desejada maçã, ele riu da situação, desceu da árvore e entregou o tão sonhado presente para aquela ruivinha sardenta, ela abriu um enorme sorriso e disse que nunca esqueceria aquele gesto.

-E não esqueceu.

-Ele se imaginava andando de mãos dadas com seu amor pelo cais no fim de tarde, fazendo viagens de carro e parando na estrada para tirar fotos, mas, dependia de palavras, muito mais do que apenas aquele seu "oi", quem sabe estava na hora de dizer um "Nossa, queria tanto te ver hoje, que bom que está aqui" mas ele perdeu o ônibus, perdeu a sua oportunidade de mudar o seu dia e a vida de ambos, ele sabia que ela sentia algo por ele, percebia que ela abria um sorriso quando olhava para a janela, afim de escondê-lo, mas ele não precisava olhá-la diretamente, ele podia sentir, os dois sorriam, mas nada mais que isso.

Todos sabiam que eles se amavam, todos, inclusive os dois, mas as vezes falar sobre os sentimentos é complicado, ainda mais para dois estranhos conhecidos há dez anos. O amor muitas vezes é estranho, é confuso e cheio de "serás e quem sabes", não são todos que sabem lidar com isso.

O que aconteceu? Ele desistiu de pegar o metrô, ela vale a pena. Precisava pensar, precisava pensar muito e saber se o que estava prestes a fazer era o certo, depois do que iria fazer, sua vida não iria mais ser a mesma, mas estava cansado disso tudo, de só imaginar, não aguentava mais essa vida resumida a "e se?", ele não aguentava mais aquilo e não aguentava estar tão próximo dela e não poder tocá-la.

-Ela passou a aula toda correndo os olhos pela sala, estava tão desanimada, ele não tinha vindo, aquilo para ela significava apenas uma coisa, ele a tinha abandonado. Ela ainda guardava no fundo do coração aquela esperança de que a porta da classe se abriria e ele entraria com o rosto vermelho de vergonha e pediria licença indo se sentar ao seu lado e entoando o seu maravilhoso "oi", como só ele sabia fazer. O seu coração iria disparar e ela iria dizer, "nossa, queria tanto te ver hoje, que bom que está aqui", mas ele não veio e mesmo que tivesse vindo, ela não teria essa coragem toda.

Ela sentiu algo em seu coração, sua vida não iria mais ser a mesma.

*eram oito horas da noite, depois de ter passado o dia todo na escola, triste e sem vontade de tudo, estava na hora de voltar para casa, correr para o seu quarto e dormir o mais depressa possível na esperança de que no outro dia ele estaria lá. E se ele não a amasse? E se ele a visse apenas como uma amiga? Não importa, só em estar perto dele já estaria de bom tamanho.

-Ele estava nervoso, ansioso, apreensivo, a rua estava fria, ele estava com algo entre suas mãos, esperava por alguém, por alguma coisa? Sentia seu coração bater mais rápido a cada minuto que se passava, ele sabia que tudo iria mudar. O ônibus virou a esquina, seu coração gelou, o ônibus parou e ela desceu cabisbaixa e chorosa.

-Ela levantou a cabeça e foi andando pela rua em direção a sua casa, alguém vinha andando atrás dela, ouviu um "ei, Caroline, espera!" Ela conhecia aquela voz, o amor estava te chamando, será que deveria esperar ou sair correndo? Olhou para trás, era ELE, sorriu, esperou.

"Nossa, queria tanto te ver hoje, que bom que está aqui!" Os dois disseram em uníssono.

A partir daquela noite não existirá mais "e se, será ou talvez". Muitas vezes sua vida só mudará se você correr atrás, e todas as vezes, para a felicidade surgir, basta sair da sua zona de conforto. A história está sendo escrita mas só você pode mudar o roteiro, corra riscos.


2 comentários:

  1. gnt li esse texto correndo pra saber se eles iam se falar direito ou nao kkkkkkkkkkk
    adorei a ideia adorei o texto
    :)

    www.meumuraldeideias.com

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  2. Adorei o texto. Verdade, é preciso correr risco.
    Sério, amei o texto♥♥♥...
    Beijos,
    {http://garotaprincesaoficial.blogspot.com/}
    PLP♥

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